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Na montra

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Depois de, a 23 de Abril, o livro ter sido apresentado em Tarragona, na Catalunha, foi agora a vez de o ser em Portugal, justamente na Casa-Museu | Centro Cultural João Soares, nas Cortes. Tem por título “Diário de Alba / Diari d'Alba”, escrito em português e em catalão, e é da autoria do escritor Luís Vieira da Mota (da Abadia, Cortes, Leiria) e das suas netas Mireia Oncins e Helena Oncins (esta última com as ilustrações), ambas a viver na Catalunha. Com 52 páginas em português e 52 páginas em catalão, a produção foi da Textiverso (Leiria). Na mesa estiveram os autores, o Vereador da Cultura da Câmara de Leiria, Dr. Gonçalo Lopes, o editor, Carlos Fernandes, e a apresentadora, a psicóloga espanhola residente em Leiria, Maria Angeles Ludeña.

 

O editor diria do seu prazer redobrado ao produzir este livro, «por razões que se prendem com o facto de ele ter sido escrito por duas pessoas que, sendo familiares – avô e neta –, estão, em termos de gerações, em pólos opostos, nos 75 e nos 15 anos». Diria mais que «ao ler este “Diário de Alba”, dificilmente alguém conseguiria discernir quem escreve o quê, se não fosse indicado expressamente que é o avô ou que é a neta». «É que o nível da escrita e a criatividade imaginativa são tão equilibrados que o livro parece de apenas um escritor.»

Maria Angeles Ludeña, por sua vez, considera que «o livro tem uma grande dose de fantasia e imaginação», mas que, «no entanto, aparecem explicações de processos físicos-quânticos, o que sei eu, que fazem acreditar que aquilo pode ser mesmo real». Assinala ainda «momentos de suspense, intriga, maldade e inocência, vítimas e tiranos». Sobre a primeira parte do livro, “O segredo do bosque”, Ludeña disse: «Nesta narrativa não só há fantasia, mas também alguma coisa didática, como o facto de os protagonistas, quando encontram a primeira dificuldade, saberem desenrascar-se e partirem à pesquisa do que não conhecem, ao lugar certo, onde há uma infinidade de informação: a biblioteca. Aprenderemos a plantar árvores e a observar com outros olhos mais abertos a natureza, entre outras coisas…»

Depois, sobre a segunda parte, “Aventura no Infratellus”, acrescentou: «À medida que ia lendo o livro, em diferentes momentos da minha leitura, alguns aspetos da narrativa fizeram-me lembrar grandes clássicos: numa altura determinada veio à minha mente Alice no pais das maravilhas (Lewis Carroll); em outra altura foi A Viagem ao centro da Terra (Julio Verne). Inclusive dei comigo na “caverna de Platão”...»

E, conjecturando nos eventuais destinatários, concluiu: «Podemos pensar que é um livro juvenil, e talvez seja isso mesmo. Contudo, não sei se por deformação profissional da minha parte ou por sensibilidade dos autores, tiro desta leitura uma conclusão: uma queda na vida pode levar a uma grande profundidade onde só a partir de aí encontramos a luz.»

Luís Vieira da Mota, que editou, no ano em que Mireia nasceu, um livro de poesia com o título “O legado de Mireia”, tem acompanhado com indizível satisfação o gosto da neta pela escrita e os progressos que tem feito nesse campo. E foi com grande comoção que afirmou nesta sessão: «Com este livro cumpriu-se o legado.»

Este foi apenas o tomo I – “Aventura no Infratellus”. Já se escreve o tomo II – “Em busca dos amigos perdidos”.