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Na montra

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Luís Cardoso, de Maceira, é o autor do livro de poesia “Manuscrito sentido” que foi lançado no passado dia 28 de Janeiro de 2017, no auditório da Fundação Caixa Agrícola de Leiria. Tem 138 páginas e foi produzido pela editora Textiverso, de Leiria. Para além do autor e do editor, Carlos Fernandes, estiveram na mesa o Vereador da Cultura da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, os Presidentes de Junta de Freguesia de Maceira, Vítor Santos, e de Leiria, José Cunha, o empresário Joaquim Rodrigues (Egro) e o Padre Vítor Melícias, que falou do autor e do livro. A psicóloga Sílvia Neves e as professoras Adelaide e Adriana declamaram alguns poemas do livro, enquanto o pianista Vítor Moreira interpretou alguns temas musicais.

 

Mas foi o editor quem acabou por dissertar mais longamente sobre o livro em apreço. Diria, designadamente: «Escrever poesia é um dom, e atributo de poucos. Ler ou interpretar poesia já é uma arte, para além de um prazer ou de um exercício literário. Luís Cardoso manifesta neste livro esse dom. Cabe-nos a nós, agora, ter a arte para o ler e saborear.» Felicitou depois o autor pela «coragem de colocar em papel os borbotões da sua extrema sensibilidade». E acrescentou: «Como ele, apetece dizer: «Aqui estamos./ Parámos o tempo/ Que suave! Sinto esta fortuna / Não abras os olhos agora».

E no entanto, ao lermos este livro sentimos que, a par da suavidade, há uma inquietude permanente e uma busca insanável. Diz ele: «Sou o que não há/ Tenho o que não dou/ Fui o que não serei». Atrevo-me mesmo a dizer que, por detrás de uma serenidade aparente, escorre uma angústia lancinante por «durante todo o tempo navegar sem rumo certo», certamente «esperando atracar num coração e aí permanecer». E concluindo, em tom trágico: «Só à sorte entrego a minha vida». Com este livro e com a sua poesia, Luís Cardoso assinala na sua vida mais uma etapa importante, reafirmando: «Tenho alma flores e natureza/ Tenho vida e morte dentro de mim». E aconselha: «Não forces. A natureza é que escolhe quem vai ou quem fica.»

Falou depois o Padre Vítor Melícias que disse do empenho do autor e da sua arte de escrever poesia, considerando o livro invulgar e a justificar uma leitura atenta.

Intervieram também os autarcas, em particular o de Maceira, sublinhando a importância do aparecimento de mais um escritor na sua terra.