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A Textiverso anuncia uma nova publicação integrada na linha editorial «Sempre já e ainda não: contos em devir», uma das vertentes do projecto Vozes em devir. Depois de O Grande Rosto de Pedra, de Nathaniel Hawthorne, esta linha prossegue agora com um conto de Alexander von Ungern-Sternberg (1806–1868), escritor e artista germano-báltico: Klabauterman, o conto escolhido, está actualmente em preparação editorial. 


A expressão «sempre já e ainda não», de ressonância derridiana, designa aqui uma forma de pensar a vida das obras para além do momento e do contexto em que nasceram. Nela se encontram o porvir derridiano, o devir deleuziano e aquela sobrevivência transformadora que a palavra benjaminiana Überleben permite pensar.


Partimos de uma premissa simples: certas histórias, imagens, vozes sobrevivem não porque permaneçam intactas numa redoma de vidro, mas precisamente porque passam a outro. Entram noutra relação, atravessam línguas, épocas e geografias, são retomadas e transformadas, a várias vozes, e, assim, voltam a acontecer. Sem que os seus criadores pudessem imaginar os caminhos futuros das suas obras, as suas vozes abertas ao porvir continuam em devir.


O conto intitulado Klabauterman é particularmente revelador. A antiga figura do imaginário marítimo germânico atravessou o século XIX e encontrou em Ungern-Sternberg uma configuração literária própria. Muito mais tarde, e por outra genealogia criativa, o Klabautermann alcançaria uma inesperada projecção mundial através do manga e do anime japoneses One Piece, onde reaparece como manifestação da alma de um navio amado e cuidado pela sua tripulação.


Não se trata, portanto, de devolver simplesmente ao presente uma obra do passado. Trata-se de escutar aquilo que nela ainda não terminou de acontecer.
A presente linha editorial da Textiverso nasce deste princípio: tradução, revisão, imagem e, quando a própria obra o suscitar, novas formas de expressão e de circulação entrarão em relação com o texto recebido, não para o substituir, mas para lhe permitir continuar vivo, como tal, em devir constante. Porque uma obra talvez sobreviva verdadeiramente quando deixa de ser apenas aquilo que foi ou que é e se torna também aquilo que ainda pode vir a ser. 

 

KLABAUTERMAN site 72 DPI