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A Textiverso continua a manter o seu escritório em Leiria, com o seguinte endereço:

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BREVES

Outro livro da Textiverso no Plano Nacional de Leitura – Já está disponível a lista de livros do primeiro semestre de 2018 recomendados para o Plano Nacional de Leitura (PNL). Entre eles está mais um produzido pela Textiverso:
- Um mistério até ao fim, de Manuela Ribeiro, com ilustrações da capa e do miolo de Carmo van Damme.

Lá mais de trás já tínhamos outros livros recomendados pelo PNL:
- História que há de ser, de Manuela Ribeiro, com ilustrações da capa e do miolo de Nídia Nair.
- Diário de Ana Joana, 12 anos, 1,36 m de altura, de Raquel Ramos, com ilustração da capa de Gonçalo Viana; e
- A Plantinha dos meus Pais, de Manuela Ribeiro, com ilustrações da capa e do miolo de Nídia Nair.
E,
para o 2.º ano - Leitura Autónoma: O urso que perdera o coração, de Carlos Alberto Silva (texto e ilustrações), produção da Textiverso.

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Miquel Barceló Chemin de Lumières 1986 detail

 Miquel Barceló, Chemin de Lumières, 1986. Pormenor     

 

O ano de 2020 não foi fácil. A pandemia desestruturou os nossos hábitos e começou a desfazer a relação tradicional que tínhamos com a vida. Introduziu a incerteza nas decisões, o medo nos comportamentos, o afastamento entre pessoas. Deu lugar a que pululassem na esfera pública as mais descabeladas e perigosas ideias sobre teorias conspirativas e promoveu a menorização dos perigos que a pandemia representa, inclusive com o beneplácito e a participação de quem mais se lhe deveria opor. À doença foi-lhe acrescentada uma dose enorme de irracionalidade.

Um segundo acontecimento extraordinário veio dos EUA. Assistiu-se em directo a uma tentativa de subversão da democracia americana. Uma subversão fortemente apoiada pela massa e que tem tentado tudo para evitar que o vencedor das eleições assuma o cargo. Quando isto se passa numa república das bananas, ninguém estranha. Quando os EUA estão à beira de se transformarem, à vista de todos, em república das bananas, alguma coisa perigosa anda no ar. A irracionalidade que se encontra em muita gente relativamente à pandemia é gémea daquela que apoia a tentativa de subversão dos resultados eleitorais nos EUA.

O ano de 2020 foi, deste modo, um ano em que as forças mais obscuras e perigosas que habitam o rabanho humano encontraram campo propício para lançarem o caos e ameaçarem a vida civilizada. São forças terríveis e têm ao seu serviço instrumentos poderosos, entre eles a comunicação instantânea trazida pelas redes sociais. Aos mais distraídos, convém lembrar que essas forças, no século XX, desencadearam duas guerras mundiais. No entanto, talvez devamos dar alguma atenção à palavra de S. Paulo quando diz «onde o pecado abundou, superabundou a graça». Onde a irracionalidade cresceu, também a razão se excedeu.

A resposta da racionalidade científica à pandemia é um acontecimento digno de realce. É notável como em poucos meses se acumulou uma quantidade de conhecimento enorme sobre a doença e como se chegou a um conjunto de vacinas que permitirão lutar com mais esperança contra a ameaça. Também está a ser, até à hora em que escrevo, notável a resposta das instituições democráticas americanas à ameaça que sobre elas impende. Tanto o sistema eleitoral dos estados federados como os tribunais têm conseguido fazer prevalecer a razão democrática sobre a irracionalidade autoritária. Se tudo correr bem com a vacina e com a democracia americana, talvez o ano de 2020 seja um ano não para esquecer, mas para lembrar. O ano em que a razão científica e a razão democrática venceram as forças obscuras da irracionalidade.

JCM. In Jornal Torrejano, 20 Dez 2020  e http://kyrieeleison-jcm.blogspot.com/2020/12/2020-um-ano-para-esquecer.html