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Na montra

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Leiria foi o local escolhido para o lançamento do livro “Diário de Ana Joana: 12 anos, 1,36 m de altura”, da autoria de Raquel Ramos, com ilustração da capa de Gonçalo Viana. Foi no dia 23 de Maio de 2015, na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira. O livro foi editado pela Textiverso e tem 160 páginas.
A apresentação foi feita pela Dra. Cláudia Mota, do Agrupamento de Escolas de Colmeias, e contou com a colaboração de alguns alunos: a Adriana Martins com um apontamento musical (flauta) e ainda a Bruna, a Andreia e o Guilherme que leram trechos do livro. A Dra. Ângela Pereira, da Biblioteca, fez as apresentações e moderou a sessão, com sala cheia, onde estiveram também presentes a Vereadora da Educação e Bibliotecas, Dra. Anabela Graça, e o Presidente da Junta da União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes, José Cunha.

 

Este livro, como o título sugere, tem como público alvo a adolescência. Cláudia Mota chamou a atenção para o facto de ele constituir um diário e de a protagonista ser uma miúda desenvolta, até com alguma “consciência” política. Em certo dia, por exemplo, ela escreveu: «Na aula de inglês, a professora perguntou a todos o que queriam ser quando crescessem. (...) Por entre os engenheiros, os professores, os médicos, os advogados, os veterinários e as cabeleireiras, é claro que a turma tinha de desatar a rir numa gargalhada estrondosa quando eu disse que gostaria de ser política.»

Objectivamente, como se vê, a autora determinou um projecto para a sua heroína. E, ao longo da escrita, ela vai mostrando como aquela “consciência” é esclarecida. Vejamos uma tirada onde isso se manifesta: «A mãe diz que a miséria está a regressar. Que os tempos vão mudar. Querem saber porque é que ela agora diz isto?/ O diretor de turma enviou um recado na caderneta a pedir aos pais para vigiarem a cabeça dos filhos, uma vez que tinham sido encontrados piolhos na cabeça de um aluno da turma.»

Mais adiante, regista alguns elementos que não são propriamente apontamentos de circunstância, mas entendimento das questões sociais: «As pessoas estão na rua a protestar contra a Troika, a dizer que querem as suas vidas de volta. A lista de desempregados aumenta, segundo o avô o país está ser entregue ao desbarato a estrangeiros agiotas. E a bandeira tinha que ser hasteada de pernas para o ar!»

Enfim, Ana Joana, menina de 12 anos, estatura mediana de 1,36 m de altura, afirma-se por um objectivo e vai lutar por concretizá-lo. Na parede do seu quarto afixou mesmo um cartaz com o lema afirmativo “Eu consigo!”.

Raquel Ramos, a autora, diria, por sua vez, que este livro (o terceiro da sua lavra) se destina a um público já autónomo, furtando-se de algum modo à leitura orientada. O que não significa que não se sugira, até porque talvez valha a pena que alguma adolescência lhe aceda e partilhe os sucessos e insucessos de Ana Joana, mas sobretudo que aprenda com a sua determinação.

O diário, ao que asseverou Raquel Ramos, vai ter continuação. Pelo que iremos acompanhar o crescimento da adolescente e o fortalecimento da sua maturidade política.