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Na montra

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Num ambiente que evoca o símbolo das granjas cistercienses dos coutos alcobacenses, foi apresentado no dia 21 de Novembro de 2015, na sala da Debulhadora da Cooperativa Agrícola de Alcobaça, o livro “Peregrinação na Memória – Datas e notas à volta de Cister”, de Rui Rasquilho, antigo director do Mosteiro. Editado pela própria Cooperativa, é uma produção da Textiverso e tem 284 páginas.

A sessão foi moderada pelo Presidente da Cooperativa, Dr. Manuel Castelhano, tendo a obra sido apresentada pelo Professor António Valério Maduro e, através do ex-embaixador Lauro Moreira, pelo Professor Pedro Gomes Barbosa.

Antes da apresentação, dois elementos da Academia de Música de Alcobaça contemplaram os presentes com um momento musical. Seguiu-se uma homenagem à Dra. Maria Augusta Trindade Ferreira, também antiga directora do Mosteiro, pelo Presidente da AMA – Amigos do Mosteiro de Alcobaça e autor do livro, Dr. Rui Rasquilho. Também falaram o Presidente da Câmara de Alcobaça, Dr. Paulo Inácio, o administrador do jornal “Região de Cister”, Dr. Rui Morais, e o editor, Eng. Carlos Fernandes.

Devido a doença, o Professor Pedro Gomes Barbosa fez chegar algumas palavras de circunstância lidas pelo ex-embaixador Lauro Moreira. No Prefácio, o académico escreveu: «Esta Peregrinação vai procurar a Memória não só dos documentos, fielmente seguidos e trabalhados, mas igualmente daqueles que mantêm uma ligação ainda muito viva com o Mosteiro de Alcobaça e com os monges de Cister que ali estiveram até 1833.» Objectivamente: «Ao pegarmos neste livro, somos conduzidos, com mão segura, por uma viagem ao mundo do Mosteiro de Alcobaça, das suas terras e das suas gentes, seguindo um fio cronológico que não nos deixa perder. Estão presentes os seus abades (e aqui há também novidades) e o que de seguro se sabe do seu abaciado, e também outras informações que o Autor julgou relevantes para melhor nos enquadrar.»

Foi depois a vez do Professor António Maduro intervir, considerando que esta «Peregrinação na Memória constitui uma viagem no tempo longo em torno de Alcobaça, da história secular da abadia e dos seus monges laboriosos». E explica: «Rui Rasquilho transporta-nos através de uma cronologia que visita desde os atos matriciais da presença cisterciense aos pormenores da vida material e da existência funcional do cenóbio, caminhada ridente que abrange a razão do espírito e da matéria, a beleza da criação que se estende desde os patamares artísticos e monumentais aos simples frutos da terra.» Sobre a metodologia da obra, diz: «Passo a passo o tempo constrói-se numa arquitectura de sentido, e o leitor menos familiarizado com a vida e obra dos monges cistercienses é acompanhado por pontos de luz que, na cronologia apresentada por Rui Rasquilho, são dados através de notas explicativas, mais ou menos breves, e textos enquadradores de problemáticas diversas, que servem naturalmente de marcos referenciais ao discurso.» Em concreto: «A estrutura do livro começa pelo pré Cister numa seleção de datas chave na afirmação do projeto cristão. O Cister inicial toma o capítulo sequente numa odisseia de projeção espiritual e terrena marcada pela adesão de tantos e pela engenhosa multiplicação das abadias, o que revela que a reforma doutrinária, ou melhor, o retorno à Regra e à vida simples mais próxima de Deus e logo da salvação das almas tocou os homens do seu tempo. O crescimento releva a política que facilita a expansão cisterciense até uma fase de maturidade. Segue-se a vida do mosteiro propriamente dita dividida pelos regimes diferenciados dos abaciatos e pela ação monárquica até aos tempos do liberalismo e ao fecho da história de 1834.»

Também o autor teceu algumas considerações, mas explicou sobretudo a forma como o livro se foi construindo ao longo de meia dúzia de anos. «Peregrinar na memória não é linear. Daí que o livro tenha sido construído lentamente» – afirmou, agradecendo em particular à Cooperativa o seu empenho na sua publicação.

No posfácio do livro, o Presidente da Cooperativa, Dr. Manuel Castelhano, escreveu:

«Esta obra é mais do que um tijolo acrescentado à construção interminável da história de Cister. É um hino à sua fortaleza institucional, à sua espiritualidade – trave mestra de uma comunidade alicerçada no trabalho e na oração e tão bem retratada nesta “Peregrinação”.»