20 anos da Textiverso: duas edições de acesso livre
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Homenagem a Maria do Carmo Gomes da Silva (1927–2009)
A celebrar o seu 20.º aniversário e honrando o espírito de partilha e serviço público que marcou, desde o início, o seu projeto, a editora Textiverso disponibilizará, muito em breve, no seu site, duas edições, distintas e complementares, do conto alegórico «O Grande Rosto de Pedra» (The Great Stone Face), de Nathaniel Hawthorne (1804–1864), uma figura fulcral da literatura americana do século XIX.
As narrativas de Hawthorne, mestre do símbolo e da alegoria, desafiam o leitor a transcender o visível, à superfície, descendo às camadas profundas onde os sentidos se constroem na sua complexidade. Tal como a sua obra-prima, A Letra Escarlate (The Scarlet Letter, 1850), também o presente conto, «O Grande Rosto de Pedra», a tal incentiva.
Trata-se de uma homenagem póstuma a Maria do Carmo Gomes da Silva (1927-2009), por parte dos seus filhos e netos, fundadores da Textiverso, que assim lhe agradecem o incentivo, entusiasmo, apoio e colaboração (deixou-nos todo um legado de obras da literatura universal por si traduzidas).
E-book 1: Edição Bilíngue (PT–EN):
Apresentada em formato bilíngue, oferece em cotejo o texto original de Nathaniel Hawthorne e a tradução portuguesa de Maria do Carmo Gomes da Silva. Esta tradução, realizada sem o apoio da IA (inexistente na época), é marcada pelo rigor, sensibilidade literária e profundo domínio das duas línguas e culturas que sempre foram seu apanágio.
E-book 2: Adaptação poética na forma de baladas:
Concebida para um público alargado, etária e culturalmente (no âmbito da crossover literature), trata-se de uma renarração integral em verso, inspirada na balada tradicional, e assinada por Ana Aires, membro do coletivo Vozes de longe e de perto. Estas baladas seguem fielmente o espírito e o fio narrativo de Hawthorne e foram pensadas com vista a serem musicadas, abrindo um novo caminho à fruição da obra. Como mero exemplo das possibilidades a que pretendem abrir e convidar, são acompanhadas, nesta edição, por códigos QR que dão acesso a músicas criadas com o apoio da Inteligência Artificial (Suno.com).
Do mesmo modo, enquanto aguardam as ilustrações em curso de Carmo Van Damme, são acompanhadas pelo trabalho digital (com ferramentas da Adobe, Photoshop) de Vera Vale, também membro do coletivo Vozes de longe e de perto. Imagens geradas com o apoio de uma IA treinada pela OpenAI são trabalhadas no propósito de se apresentarem ilustrações deliberadamente imprecisas e sóbrias, que dêem ao leitor uma mera presença visual, suave e insinuada.
A coexistência das duas edições espelha a própria identidade da Textiverso: honrar o património literário e, simultaneamente, abri-lo a novos leitores e novas formas de fruição. Ambas as versões se complementam e fecham o ciclo: a primeira respeita, com fidelidade, o texto original; a segunda prolonga a sua ressonância na imaginação dos leitores. É com este espírito que celebramos o nosso 20.º aniversário: honrando as raízes e abrindo novos horizontes.
Mais actual do que nunca: uma crónica de Ana Isabel Marques
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Outras Flores do Mal
por
Ana Isabel Marques
Não é invulgar, numa ou noutra ocasião mais informal, tecermos considerandos acerca dos povos e das nações. Quantas vezes já não ajuizámos acerca nos nossos procedimentos colectivos, acusando os Portugueses de uma quase atávica propensão para a negligência, para a passividade ou, numa óptica mais positiva, para o improviso ou para a solidariedade. Trata-se, e disso devemos ter uma noção muito vincada, de imagens generalistas e, logo, propensas à distorção. Estas imagens, os chamados estereótipos, quando aplicadas aos comportamentos colectivos constituem uma matéria tremendamente sensível e facilmente inflamável. Recordo que foi precisamente sustentados em impressões generalistas e levianas, que remontam à Alemanha oitocentista e à teoria wundtiana da Psicologia dos Povos, que eclodiram os regimes ditatoriais fascizantes do século XX e as ideologias racistas e expansionistas que estiveram na base dos maiores conflitos mundiais de que há memória.
Como se tivéssemos feito tábua rasa das lições da História, verificamos que ainda hoje os estereótipos estão na base da política exercida ao nível das mais altas instâncias nacionais e internacionais. São os estereótipos que fomentam uma má vontade europeia do Norte, trabalhador e cumpridor, relativamente ao Sul, relapso e despesista. São os estereótipos que se colam aos refugiados como hordas de leprosos, e esconderijo de terroristas, que contaminam e destroem as sociedades que os albergam. São os estereótipos que alimentam os radicalismos ideológicos que vão proliferando pela Europa e que se instalaram em grande parte do continente americano, permitindo eleger a administração Trump e Bolsonaro.
Num plano mais restrito, também são os estereótipos que sustentam a cizânia entre classes profissionais, colocando os Portugueses uns contra os outros. São os estereótipos que alimentam as hostilidades entre trabalhadores do sector público e do sector privado, entre contribuintes reformados e contribuintes no activo.
Termino glosando Mia Couto que sublinha que quanto menos conhecemos mais julgamos, sendo o juízo precipitado quantas vezes uma arma perversa de quem desconhece as razões que assistem a cada realidade. O uso de estereótipos, que é o cimento de toda a demagogia, não é mais do que a verbalização de desconhecimento e de ignorância profunda.
Primeiro número da coleção (i)materialidades apresentado na Freguesia de Amor
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Realizou-se no passado sábado, na freguesia de Amor, a apresentação do livro Lendas, Narrativas e Mitos d’Amor, da autoria de Delmar Serrano. Esta obra marca o lançamento do primeiro número da coleção (I)materialidades, um projeto editorial que visa a divulgação, valorização e salvaguarda do Património Cultural Imaterial do distrito de Leiria.
Com o objetivo de tornar acessíveis ao público os saberes, práticas e expressões que moldam a identidade coletiva das comunidades locais, esta coleção apresenta-se em formato de bolso, prático e de fácil manuseio, convidando à descoberta e à reflexão.
Cada volume é dedicado a uma vertente específica do património imaterial, proporcionando uma abordagem aprofundada sobre os elementos que compõem a memória cultural da região.
Na sessão de apresentação estiveram presentes, além do autor, o presidente da Junta de Freguesia de Amor, Adriano Neto, o presidente do Município de Leiria, Gonçalo Lopes, e os coordenadores da coleção, André Camponês e Adélio Amaro.


Porto Longo: Rios com História será apresentado em Monte Redondo
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No próximo dia 7 de junho, pelas 18h00, será apresentado publicamente o trabalho de investigação sobre o património natural e histórico da região de Monte Redondo, da autoria de Sandra Crespo.
Com especial enfoque nos moinhos de água e nos cursos fluviais que, ao longo dos séculos, moldaram a paisagem e o modo de vida local, o estudo percorre o curso do rio de Fonte Cova, desde a sua nascente no lugar de Nasce Água, atravessando o Porto Longo, até ao encontro com o rio Lis. A obra documenta os moinhos que outrora animaram os campos e sustentaram a economia agrícola da região, constituindo um valioso acervo de memórias e testemunhos sobre os usos ancestrais da água, elemento vital na economia rural tradicional.
Este trabalho, de caráter etnográfico, ambiental e histórico, representa uma significativa contribuição para a preservação do património rural de Monte Redondo, e apela à valorização dos recursos naturais e culturais que definem a identidade local.
A coordenação editorial da publicação esteve a cargo do Centro de Património da Estremadura (CEPAE), e contou com o apoio institucional da União das Freguesias de Monte Redondo e Carreira e do Museu do Casal de Monte Redondo. A obra tem chancela da editora leiriense Textiverso.
A sessão de apresentação contará com a presença da autora, representantes das entidades envolvidas e membros da comunidade. A entrada é livre.
Apresentação de Cadernos leirienses, 2.ª Série, n.º 3: Estudos de Etnografia e Património
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Compareceram a este evento os autarcas da Câmara de Ansião e da Junta de Freguesia de Avelar. No evento, que contou com a casa cheia, a apresentação esteve a cargo de André Camponês, Coordenador da linha editorial Cadernos leirienses, de Ana Isabel Marques, coordenadora da secção de Estudos Interculturais, de Eduardo Rego e de Raúl Coelho, autores de alguns dos artigos que integram este 3.º número.

Aviso de site em reestruturação. Informações e encomendas. Contactos
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Estamos a trabalhar na reestruturação do nosso site.
Para encomendas:
P.F. Indicar: Título do livro, Nome + Morada para envio, NIF (opcional)
Agradecemos a sua compreensão. Estamos à sua disposição para qualquer esclarecimento.
Paridade no Papel, Desigualdade na Vida: crónica de Ana Isabel Marques para o Dia Internacional da Mulher
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Hoje, dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, ocorrem-me pensamentos contraditórios. Não são propriamente de regozijo, mas sobretudo da constatação de que a paridade que esta data deveria celebrar fica ainda aquém da sua concretização.
Recuo no tempo e recordo as mulheres da minha infância, da minha terra (arredada das grandes cidades de Portugal). Lembro-me dessas mulheres que vi trabalharem de sol a sol nos campos, nas fábricas, na costura, em casa, em tanta coisa, ao mesmo tempo. Lembro-me dos tempos e espaços de lazer dos homens, no terreiro, nos cafés, nas tabernas – espaços sobretudo (ou exclusivamente) masculinos e tacitamente interditados às mulheres.
Lembro-me dos professores iluminados pelas esperanças de abril e cresci na convicção de que eram premissas inabaláveis e tão verdadeiras, tão reais, tão garantidas como o ar que respiramos. E fui, ingenuamente, ao longo da vida, fazendo fé nessa mundivisão que me moldou e que norteou o meu percurso. Fui, obviamente, vendo e ouvindo histórias que contrariavam essa mundivisão, que apontavam para mentalidades diferentes em que as mulheres atavicamente, por uma qualquer inerência de género, não se situavam exatamente no mesmo patamar dos homens. Sempre entendi, ou quis entender, essas histórias como desviantes relativamente à norma. E via esses episódios como fortuitos, resquícios de um tempo que, para todos os efeitos, era passado.
Decorrido mais de meio século sobre a esperança de abril, sobre os comoventes discursos inflamados de mulheres que procuraram no após revolução dar voz aos mais elementares direitos das mulheres, com que desilusão e desesperança constato que as mentalidades precisam de bem mais tempo para se ajustarem às leis fixadas no papel!
Não ignoro a abissal diferença entre o antes e o depois de 1974. Passei muito tempo no Arquivo Nacional Torre do Tombo a consultar processos e legislação do Estado Novo e posso com toda a segurança afiançar, aos mais incrédulos, que foram incomensuráveis as conquistas do 25 de abril relativamente aos direitos das mulheres (e referirei apenas o direito de voto, por serem tantos e tão aviltantes os destratos de outrora à condição feminina).
Apesar de tudo isto, e ciente destes progressos, com que pesar constato que, ainda hoje, existem contextos laborais em que as mulheres são tratadas com indisfarçada hostilidade, e que auferem vencimentos inferiores aos dos homens.
E com que desilusão constato que existem ambientes, insuspeitos, onde a desigualdade de género existe de facto e, o que é mais tenebroso ainda, de forma dissimulada. A coberto de uma pretensa igualdade de género, inclusivamente com a conivência de algumas colegas premiadas por isso mesmo, as mulheres são preteridas em relação aos homens, que, em bastidores, se mobilizam para favorecer os seus pares. Em discretos atropelos à paridade de género (nem tal seria legalmente viável), vão-se protegendo e promovendo colegas homens em detrimento das colegas mulheres.
É com tanta tristeza e desesperança que, ainda hoje, constato que as mulheres são, por inerência de género e um qualquer fado atávico, os esteios das famílias, as educadoras dos filhos e as cuidadoras dos pais. E é com tanta mágoa que vejo que esses papéis, onde radica a humanização das nossas sociedades, são, ainda hoje, invisíveis, considerados insignificantes e incompatíveis com progressões na carreira ou promoções laborais.
Neste dia de homenagem a todas as mulheres, deixo uma sentida homenagem à minha mãe que me incutiu a urgência da formação e do exercício de uma profissão para me assegurar autonomia financeira, mas que, apesar das esperanças de abril, via com muita apreensão o futuro das filhas (mulheres) no Portugal contemporâneo.
Ana Isabel Marques
[Nota: Imagem criada com a assistência da IA Chat-GTP (OpenAI)]
Apresentação da obra «Histórias do Casalito», de Joaquim Duarte e Delmar Serrano
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A obra, que integra a coleção Memória e Património do projeto (i)materialidades: Etnografia e Património, é um convite para conhecer a genealogia das gentes do Casalito, um lugar singular cuja história se cruza com a vivência de gerações e com a identidade da comunidade.
Durante a apresentação, Joaquim Duarte e Delmar Serrano partilharam o processo de elaboração da obra, enfatizando a importância de valorizar as raízes e dar voz aos relatos que moldaram a identidade de Barreiros e das suas gentes. O público presente, composto por membros da comunidade local e convidados, teve a oportunidade de interagir com os autores, partilhar experiências e refletir sobre a importância de manter vivas estas memórias.
Profusamente ilustrada com fotografias das famílias daquela localidade, a publicação, composta por 164 páginas, pode ser adquirida na Associação Desportiva e Recreativa de Barreiros.
- Apresentação do Primeiro Número da Coletânea «Avelar na Primeira Pessoa»
- «Espíritos do Natal»: Crónica de J. C.M.
- Deus Homo factus est: representação simbólica gerada pela IA
- «Os resultados portugueses nos estudos internacionais sobre educação». J.C.M foca três razões centrais de índole cultural.
- Apresentação do livro «Avelar na primeira pessoa: o 25 de abril»
- «Mérito e inveja» - uma Crónica de J.C.Maia
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