«Várias Vozes - edições» estreia com a edição da Obra de Maria Amélia Neto
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A colecção «entretanto», das edições Várias Vozes, constitui uma linha editorial destinada à edição de autores da literatura do século XX (e anteriores) que foram esquecidos pela crítica. É uma linha de investigação académica, centralizada em estudos teóricos que acompanham as obras inéditas ou reeditadas. Rui Magalhães, que a dirige, é o organizador dos dois primeiros volumes e o autor do terceiro da trilogia que apresentámos.
A Textiverso congratula-se por reforçar a sua parceria associativa com a Várias Vozes, parceria que tem como missão aproximar os estudos académicos e a investigação universitária do público em geral.
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Atendendo ao facto de a edição ser muito pequena, o leitor interessado poderá efectuar uma reserva (sem qualquer compromisso da sua parte, mas assegurando a disponibilidade de um exemplar de cada volume), enviando um email para o endereço:
«2020, um ano para esquecer?», por JCM
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Miquel Barceló, Chemin de Lumières, 1986. Pormenor
O ano de 2020 não foi fácil. A pandemia desestruturou os nossos hábitos e começou a desfazer a relação tradicional que tínhamos com a vida. Introduziu a incerteza nas decisões, o medo nos comportamentos, o afastamento entre pessoas. Deu lugar a que pululassem na esfera pública as mais descabeladas e perigosas ideias sobre teorias conspirativas e promoveu a menorização dos perigos que a pandemia representa, inclusive com o beneplácito e a participação de quem mais se lhe deveria opor. À doença foi-lhe acrescentada uma dose enorme de irracionalidade.
Um segundo acontecimento extraordinário veio dos EUA. Assistiu-se em directo a uma tentativa de subversão da democracia americana. Uma subversão fortemente apoiada pela massa e que tem tentado tudo para evitar que o vencedor das eleições assuma o cargo. Quando isto se passa numa república das bananas, ninguém estranha. Quando os EUA estão à beira de se transformarem, à vista de todos, em república das bananas, alguma coisa perigosa anda no ar. A irracionalidade que se encontra em muita gente relativamente à pandemia é gémea daquela que apoia a tentativa de subversão dos resultados eleitorais nos EUA.
O ano de 2020 foi, deste modo, um ano em que as forças mais obscuras e perigosas que habitam o rabanho humano encontraram campo propício para lançarem o caos e ameaçarem a vida civilizada. São forças terríveis e têm ao seu serviço instrumentos poderosos, entre eles a comunicação instantânea trazida pelas redes sociais. Aos mais distraídos, convém lembrar que essas forças, no século XX, desencadearam duas guerras mundiais. No entanto, talvez devamos dar alguma atenção à palavra de S. Paulo quando diz «onde o pecado abundou, superabundou a graça». Onde a irracionalidade cresceu, também a razão se excedeu.
A resposta da racionalidade científica à pandemia é um acontecimento digno de realce. É notável como em poucos meses se acumulou uma quantidade de conhecimento enorme sobre a doença e como se chegou a um conjunto de vacinas que permitirão lutar com mais esperança contra a ameaça. Também está a ser, até à hora em que escrevo, notável a resposta das instituições democráticas americanas à ameaça que sobre elas impende. Tanto o sistema eleitoral dos estados federados como os tribunais têm conseguido fazer prevalecer a razão democrática sobre a irracionalidade autoritária. Se tudo correr bem com a vacina e com a democracia americana, talvez o ano de 2020 seja um ano não para esquecer, mas para lembrar. O ano em que a razão científica e a razão democrática venceram as forças obscuras da irracionalidade.
JCM. In Jornal Torrejano, 20 Dez 2020 e http://kyrieeleison-jcm.blogspot.com/2020/12/2020-um-ano-para-esquecer.html
Et incarnatus est
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Concepção e composição de Catarina Rato para a Editora Textiverso
O Natal do nosso confinamento, por J.C.M.
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Um período significativo da história da humanidade está ligado à existência de uma omnipresente dimensão religiosa. Não é necessário ser crente para compreender que o conjunto de narrativas míticas e de rituais simbólicos foram uma vantagem competitiva da espécie para se adaptar ao meio onde tem de conduzir a sua existência. Por norma, na vida quotidiana, a religião nunca é pensada dessa forma. Há os crentes, mais ou menos praticantes, há os não crentes, há os que não sabem se devem crer ou não e há os indiferentes, mas todos eles tomam posição perante aquilo que é mais óbvio na religião, o sistema de crenças e sua eventual verdade ou falsidade. As pessoas não se confrontam com a utilidade que a religião tem na vida adaptativa da espécie.
Ora, os sistemas de narrativas e símbolos religiosos dirigem-se não propriamente à razão, mas a dimensões mais fundas do ser humano. Têm a função de o integrar no cosmos, na vida social e em si mesmo. O Natal, com o nascimento da criança divina e a consumação da encarnação do Verbo de Deus, segundo a narrativa do Novo Testamento, tem essa importância integradora do homem na dinâmica da existência. O Natal não é a comemoração de um facto ocorrido há dois mil anos, mas um momento simbólico em que o homem através dos rituais natalícios reforça os seus vínculos mais fundos com o mundo, a vida, a comunidade e a existência. Esse exercício, todavia, sofre, desde há muito, uma forte erosão, tendo-se tornado numa diabólica corrida ao consumo mesclada por uma insípida e vaga ideia de festividade familiar.
O que a actual pandemia vem desarranjar na vida dos homens não é o Natal, mas essa visão profana e insossa das festividades comemorativas do eventual nascimento do Menino. As pessoas têm menos tempo para enlouquecer nas compras, vão ter de restringir as deambulações, assim como as reuniões familiares deverão ser menos concorridas. Haverá muita gente obrigada a uma quadra frugal. No entanto, esta terrível pandemia poderia ser uma oportunidade para que o símbolo do Natal – o de um Deus que toma corpo e nasce como criança no menos nobre dos sítios – pudesse ajudar a que cada um se questionasse sobre o seu lugar no cosmos, na comunidade e em si mesmo, sobre o mistério do seu próprio nascimento e o sentido da sua vida. Este Natal do nosso confinamento é uma brecha que poderia abrir caminho para uma relação mais autêntica e profunda com a existência. Uma oportunidade inesperada, como todas as grandes oportunidades, que nos arriscamos, lamentosos por perder a rotina onde nos afundamos a cada ano, a nem dar por ela. Um bom Natal.
J.C.M. , in A Barca (http://www.abarca.com.pt/)
Campo ABERTO – Conversas sobre o Ensaio, organizado por Rita Basílio e Jessica di Chiara.
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«Os Grandes de Barreiros: O Povo e o Comendador», de Delmar Serrano
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Delmar Clemente Serrano nasceu nos Barreiros, onde reside, em 1953. É engenheiro civil e, como formação complementar, entre outras, concluiu, na Universidade Católica de Lisboa, o Programa Avançado de Gestão para a Construção. Foi fundador da Tensor – empresa de construção civil – que liderou durante 23 anos. Foi Presidente da Comissão Diretiva da delegação da AECOPS do Distrito de Leiria – Associação Empresarial do Setor da Construção – e, posteriormente, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da mesma Associação. Depois de cessar a sua atividade profissional, em 2011, dedicou-se à leitura e estudo da História, que sempre foi a sua paixão.
Conforme explicita o autor na sua «Introdução», «Os Grandes de Barreiros» foram — na década de 50 do século passado, em que decorre o núcleo da ação da «saga» reportada — o seu Povo e o Comendador Joaquim Duarte Areia, o seu grande benemérito.
A obra tem, assim, das linhas de desenvolvimento temático que mutuamente se implicam: um, a história etnográfica e económica do povo dos Barreiros, contextualizada numa breve, mas pertinentíssima, reflexão sobre a história política e económica do Portugal da primeira metade do século XX; outro, a biografia, ricamente ilustrada com fotografias da época, do Comendador Joaquim Duarte Areia.
Do ponto de vista etnográfico, o autor descreve minuciosamente os elementos da Arquitetura Popular e suas funções, enquadrando-os nas vivências comunitárias da época contemplada. Com a finalidade de descrever o ethos local, retrata o quotidiano e as relações sociais, focalizando as questões da higiene, saúde e alimentação, o comércio, a consanguinidade, as crenças, as festas, os divertimentos, os casamentos, entre outros motivos e temas. É de assinalar, ainda, a descrição que faz das indústrias populares (olarias, lagares e moinhos) e do património cultural edificado nos Barreiros. Centrando-se no papel que o Povo e o Comendador tiveram, na década de 50, na eletrificação dos Barreiros e, de um modo muito especial, na pavimentação das suas ruas, o livro reúne uma assinalável correspondência que transporta o leitor a esses tempos, permitindo-lhe acompanhar, pari passu, os factos e ocorrências nela referidos. Por fim, salientamos a importância da documentação imagética inserida na obra, fruto de uma cuidada pesquisa, que não só vem ampliar e/ou potenciar a capacidade de compreensão do objeto estudado, como constitui também uma ferramenta de valioso auxílio para o entendimento da dialética histórica envolvida.
A obra pode ser adquirida à Associação Desportiva e Recreativa dos Barreiros a quem o autor teve o benemérito e generoso gesto de oferecer todos os proveitos decorrentes da venda do livro.
Pela obra e pelo gesto, aqui lhe deixamos a nossa homenagem.
André Camponês (Coordenador editorial)

«Memórias do Sótão e outras Memórias», de Joaquim Grácio
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Joaquim Manuel da Silva Grácio, paralelamente à sua atividade pedagógica, tem desenvolvido com proficiência vários estudos históricos, etnográficos e sociológicos a respeito do território de Trás-os-Montes e Alto Douro, com particular enfoque no concelho de Alijó.
O seu labor historicista remonta a meados da década de 80 do século passado com a publicação da Monografia de Sanfins do Douro (1985), o Cancioneiro de Sanfins do Douro (1985), e Contos do Vilarelho (1986), obras de relevância para a salvaguarda e promoção do Património Cultural Imaterial. O literato, que nasceu em Sanfins do Douro em 1953, tem produzido abundante bibliografia sobre a região em apreço, dissertando sobre os aspetos da religiosidade popular local, em trabalhos publicados na renomada revista Estudos Transmontanos e, mais recentemente, na Memória Rural, dando destaque aos valiosos subsídios históricos e sociais do concelho de Alijó.
O livro Memórias do Sótão e Outras Memórias reúne um conjunto de crónicas publicadas no jornal quinzenário Nordeste Cultural e alguns escritos inéditos. Nas palavras do escritor, pretende «divulgar hábitos, costumes, tradições e figuras da comunidade que a evolução e o progresso deixaram irremediavelmente para trás.»
Assumindo a centralidade do património na vida da comunidade sanfinense, esta obra sistematiza, analisa e descreve os diferentes aspetos culturais, sociais e económicos da localidade, tornando-se a sua leitura uma ferramenta indispensável para a preservação da memória coletiva e compreensão da identidade cultural regional. A obra com a chancela da Textiverso integra a coleção Memória e Património.
De assinalar que o autor oferece todos os proveitos económicos decorrentes da venda dos livros aos Bombeiros Voluntários de Sanfins do Douro, o que notabiliza e enobrece ainda mais a finalidade da publicação. Honra seja feita a Joaquim Grácio pelo serviço filantrópico que concede aos seus conterrâneos.
André Camponês (Coordenador editorial)

«Um passarinho disse-me que …», de Ana Isabel Marques
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Começo estas reflexões com um exercício de mea culpa por não conseguir deixar de sentir espanto ante o esmagador impacto das redes sociais. Trata-se da consequência (natural, dirão alguns) da democratização do acesso aos media e da banalização do voyeurismo social. Efetivamente, o vaticínio Warholesco da democratização da fama (os famosos «15 minutos de fama», passe a redundância) impõe-se, meio século mais tarde, em palcos diversos e por períodos de tempo mais alargados. As tardes televisivas em que se convida para subir ao palco o cidadão anónimo ávido de contar ao mundo o rol de desgraças que viveu, as temporadas de «Big Brother» ou de casamentos à primeira vista mais não são do que a venda da ilusão de que qualquer um pode tornar-se conhecido, logo, pode tornar-se uma pessoa importante ou uma figura pública (o que quer que isso signifique).
As redes sociais são outra vertente deste fenómeno de "dessacralização" dos media. São o palco daqueles que, não querendo ser convidados para os programas televisivos, criam os seus próprios canais para chegar ao público e terem visibilidade social. A facilidade com que o cidadão comum tem acesso a ferramentas que lhe permitem tele-difundir a sua pessoa, os seus familiares, o gato, o cão, o prato com comida, o prato sujo (ou qualquer disparate que lhe passe pela cabeça) não deixa de ter laivos de insanidade e gera um tsunami de poluição informativa que tem muitos lados negros.
Dir-me-ão que, à semelhança de toda e qualquer inovação tecnológica, há apenas bons e maus utilizadores e, esse facto, não põe em causa a valia da invenção. É verdade, mas não posso deixar de sublinhar o potencial de perigo que subjaz à realidade das redes sociais. A “palavra” ganhou uma perigosa velocidade de disseminação. As novas formas de comunicar não são rastilhos de pólvora, mas sim radiações atómicas. A informação falsa circula à mesma velocidade e pelas mesmas rotas em que circula a informação verdadeira, sem qualquer triagem e com total impunidade. E isso é uma realidade absolutamente tenebrosa. Quem nos governa conhece esses fenómenos melhor do que ninguém. E se, por cá, onde tudo tem menores proporções ou se desenrola em moldes mais brandos, nos ficamos pela verificação da fiabilidade da informação (com polígrafos SIC), nos Estados Unidos o termo «fake news» tornou-se tão banal quanto o coffee-break.
Descontente com os media que (ainda) tentam averiguar a verdade dos factos, o Líder de uma das nações mais pujantes do mundo vai ao Twitter largar as maiores aleivosias e com a mesma facilidade com que aqui a Dona Miquelina descarrega no Facebook fotos de um prato de camarão. E, assim, Trump move-se como ninguém nestes terrenos de informação pantanosa dos nossos dias. Foi catapultado para a Casa Branca por uma lógica de Reality Show que deixou o mundo boquiaberto. Aplicou a mesma lábia, peito feito e postura de “manager” experiente (aqui chamar-lhe- íamos charlatão) à política nacional e internacional, deixando os analistas políticos incrédulos. Deturpou, ameaçou e mentiu com uma desfaçatez (e falta de educação) que deixou aturdidos os seus pares. E tudo isto para gáudio de uma percentagem (como vimos não negligenciável) dos eleitores americanos que rejubila por ver na Casa Branca alguém desta têmpera e com esta “garra”. Alguém que fala a mesma linguagem, alguém que usa os mesmos megafones (leia-se, redes sociais) para verbalizar as mesmas baboseiras que o John da esquina. «That’s amazing!»
- Receita Simples Para Cozinhar um Líder de Massas, de Ana Isabel Marques
- Cadernos Leirienses – 2.ª Série. N.º 1 – Estudos de Etnografia e Património
- A «Dobra» continua a desdobrar-se
- Apresentação do livro "A lista de Aristides de Sousa Mendes", de Ana Cristina Luz
- Mais uma publicação do Projecto «Desimaginar o Mundo - Manuel António Pina»
- Várias Vozes (em parceria com a Textiverso): o Projecto de André Camponês «(i)materialidades - Etnografia e Património,
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