Um novo livro sobre a região de Leiria foi lançado a 21 de Maio de 2015, nas vésperas do Dia da Cidade. Trata-se de “Elites Políticas de Leiria: 1910-2000”, da autoria de Acácio Fernando de Sousa. Tem 350 páginas mais um CD correspondente a quadros prosopográficos dos órgãos políticos e organizações de interesse. É uma edição da Textiverso, n.º 28 da colecção “Tempos & Vidas”. A apresentação decorreu na sede da Fundação Caixa Agrícola de Leiria e foi feita pelo Professor Pedro Tavares de Almeida. Para além do autor e do apresentador, estiveram na mesa o editor, Carlos Fernandes, o Presidente da Fundação, Mário Matias, o Presidente da Junta da União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes, José Cunha, e o Presidente da Câmara, Raul Castro.

 

Com a sala repleta, o Professor Pedro Tavares de Almeida não fez propriamente a apresentação do livro, mas antes uma dissertação à volta do tema, de alguma forma desmontando os conceitos envolvidos. No Prefácio do livro escreveu:

«Independentemente do maior ou menor protagonismo e influência real dos membros da elite política, inquirir quem são e como foram seleccionados permite compreender, em diversos momentos e contextos, o tipo de recursos e de percursos valorizados no acesso a essas posições de autoridade formal, assim como vislumbrar algumas características estruturais e culturais das comunidades (nacionais e locais) onde se inscrevem. Na média ou longa duração, o movimento de “circulação da elite”, de substituição e renovação dos seus membros, é, aliás, um precioso indicador para aferir quer o grau de abertura (democrática) ou fechamento (oligárquico) do recrutamento político, quer o sentido das mudanças societais. Importa aqui sublinhar, no entanto, que as transformações na composição das elites políticas e as dinâmicas sociais não são processos sincrónicos, nem a conexão entre ambas é linear. Do mesmo modo, se bem que diferentes padrões de recrutamento possam ajudar a explicar diferentes padrões atitudinais e de comportamento, não existe uma relação de causalidade directa e mecânica entre uns e outros.»

Em particular sobre o livro e o autor deixou expresso:

«Sem prejuízo de o leitor poder discordar de algumas hipóteses explicativas e inferências analíticas do autor, o sólido conhecimento que este possui da história contemporânea (passada e recente) de Leiria e dos acervos documentais locais – ancorado na sua qualificada experiência como director do Arquivo Distrital –, bem expresso na reconstituição minuciosa de certos ambientes e acontecimentos, a par do riquíssimo manancial de informações e dados biográficos (muitos deles inéditos e dificilmente pesquisáveis) que suportam o retrato prosopográfico da elite política, fazem desta obra um marco importante e uma referência inquestionável na investigação empírica sobre a cena política e os seus principais actores na Leiria novecentista.»

Objectivamente, o autor esclarece que «os 90 anos abordados têm como objecto as elites da República em Leiria nos três regimes identificados visando a sua caracterização no que toca: aos modelos de recrutamento; à carreira e às representações; ao desempenho; às continuidades e descontinuidades nos momentos de mudança; e até que ponto elas foram agentes do desenvolvimento local».

Para concluir que, «desde 1835, o distrito teve um desenho geográfico que trouxe dificuldades em manter laços a norte e a sul de forma politicamente solidária com a “capital”». Esclarecendo a afirmação: «O “fechamento” das elites locais criou uma coesão interna e temporária, mas nunca [as elites] deixaram de sentir uma “tenaz” que se tornou impeditiva de um alargamento de escala que fosse além de um conceito de Alta Estremadura com um território quase coincidente com a diocese.» Entende Acácio de Sousa que «estas serão as razões que se desviarão da generalidade do País, dando a Leiria algumas especificidades que suscitam que, por aí, seja um verdadeiro caso de estudo».

Este livro constitui a tese de Doutoramento em Ciência Política / Elites e Pensamento Político apresentada pelo autor à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e defendida em Fevereiro de 2014. Tem três capítulos distintos, para além da Introdução: I- A I República e as novas elites políticas; II- O Regime Autoritário e as elites; e III- O Regime Democrático (1974-2000). Em extratexto, inclui um caderno a cores de 16 páginas, com gráficos. E, como referimos atrás, ainda um CD com quadros prosopográficos dos órgãos políticos e organizações de interesse.