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O livro Fugir de Mim, da autoria de José Adelino Vieira Brites, foi apresentado no Clube Recreativo e Desportivo do Soutocico a 11 de fevereiro, perante uma plateia bem composta. Integrado na coleção “Poetas da Freguesia do Arrabal”, segundo número, a obra contém cem poemas, grande parte deles, sonetos.

Como refere o editor, «A preferência por esta forma poética, obedecendo a métricas específicas e esquemas de rimas que lhe conferem um ritmo particular, constitui uma especificidade da sua obra. Marcados pela autenticidade, estes poemas proporcionam uma leitura que convida à reflexão, sendo que, através do “eu” lírico, o autor, natural do Soutocico, nos deixa um vibrante testemunho de vida”.

A sessão de apresentação contou com a participação de Sílvia Brites, presidente da coletividade que acolheu a iniciativa, Helena Brites, presidente da Junta de Freguesia, o editor, André Camponês, e o autor. A publicação contou com o apoio institucional do Rancho Folclórico do Freixial, do Museu Etnográfico e do Notícias do Arrabal e teve a chancela da editora Textiverso. A coleção está integrada no Projeto (I)materialidades: etnografia e património, coordenado por André Camponês.

Sobre o autor

José Adelino Vieira Brites é um autor arrabalense com várias obras publicadas que versam aspetos relacionados com o património, história e associativismo local. É, porém, na construção do “eu” poético que o autor explora aspetos pessoais e emocionais na sua produção literária, incorporando, do mesmo modo, elementos culturais e geográficos locais. Tem, desta forma, contribuído para enriquecer e preservar o património literário da freguesia do Arrabal.

 

foto Fugir de mim 92 dpi site

apresentação do livro soutocio 92 dpi site




Cantando aprendo 15cm 92dpi

 

O livro Cantando Aprendo, obra póstuma da autoria do maceirense José Ribeiro de Sousa, será brevemente apresentado na sua terra natal, por ocasião do 104.º aniversário do nascimento do autor.

Trata-se de uma invulgar obra que dá corpo ao método didático gizado pelo professor Ribeiro de Sousa para a iniciação à leitura e à escrita. Transcrevemos as palavras do literato sobre o modo como a ideia lhe surgiu:

«em fim de férias, em véspera de abertura de aulas nesse ano, deu-me para reflectir no velho aforismo ouvido a meus saudosos maiores: Quem canta, reza duas vezes. E, por analogia, deduzi: Então quem canta, aprende duas vezes – uma por obrigação e outra por devoção. (…) E em vez de monótonas páginas dos livros de iniciação à Leitura e à Escrita, porque não um conjunto de cantigas, dia a dia renovadas e aplicadas ao ensino e correção das suas carências, desejos e alvitres, seguindo um esquema geral previamente elaborado?».

Em 2003, o maestro Joaquim Vicente Narciso trasladou o o original agora publicado, procedendo, de igual forma, à inserção de algumas observações, necessárias e oportunas, quer na letra, quer na música.

Cantando Aprendo é a terceira obra póstuma do autor publicada pela Textiverso, depois de Achegas para a História e Etnográfica da Costa – Maceira (2022) e Leiria Eu Te Canto (2023).

Com a chancela da Textiverso, a edição conta com o apoio da Câmara Municipal de Leiria.




Capa Leiria eu te canto

Leiria eu te canto, o livro de poesia composto pela trilogia «Leiria Eu te Canto», «Confidências a uma Leiria Velha» e «Rondó por Leiria do passado» da autoria de José Ribeiro de Sousa, será brevemente apresentado na Maceira, terra natal do literato.

A obra póstuma com a chancela da Textiverso reúne vários textos, alguns dos quais apresentados nos Jogos Florais de 2002 e outros concursos literários.

Organizada pelo genro José Manuel André, recentemente falecido, e pelo Maestro Joaquim Vicente Narciso, a publicação conta com o apoio da Câmara Municipal de Leiria.

A título ilustrativo, divulgamos um dos poemas que compõem a última parte do livro:

ADEGAS E TABERNAS

Recordando as tuas casas típicas
adegas e tabernas
de grandes bancos e mesas,
onde em visitas cíclicas
se parava para descansar as pernas
e contar proezas.

Vinham comes e bebes, bons petiscos
e a acompanhar aquela “gota” boa:
- Teresa do Rito, Tiaga, Porto Artur, Lagoa,
Gato Preto, Adega dos Caçadores ao lado,
e outras que já são saudade do passado.

Aí, entre regalos,
se bebia o bom tinto de três estalos
que o sol amadurara em graça plena
nas encostas do Lis e do Lena
em terras sãs e castas de primazia
do Trincadeiro à Malvazia.

O tal por quem a Maria Parda se carpia
desgrenhando a surrada melena.




CAPA Martinela

 

A obra Martinela – Sua Vida e Suas Gentes (séculos XIX e XX) foi apresentada nas Festas de Santa Luzia, que decorreram no último fim-de-semana. Com 374 páginas profusamente ilustradas, esta monografia da autoria de Celeste Brites Pinto foi lançada em 2013 sob a forma de edição de autor. O livro contempla, numa primeira parte, uma descrição minuciosa de usos, costumes e tradições daquela localidade da freguesia do Arrabal e, na segunda parte, procede-se à reconstituição do aglomerado populacional através da genealogia dos núcleos familiares mais numerosos, como os Brites e os Crespos.

Com a chancela da Textiverso e apoio institucional do Rancho Folclórico do Freixial e Museu Etnográfico, a publicação insere-se na linha editorial «Memória e Património» que integra o projeto (I)materialidades: etnografia e Património, com a coordenação científica de André Camponês. Segundo o coordenador «trata-se de uma obra essencial para compreender algumas das caraterísticas e particularidades culturais desta povoação, endossando à descrição do património cultural material e imaterial o registo biográfico e genealógico das famílias locais. Em jeito de síntese, esta feliz conjugação de elementos fornece importantes pistas para a compreensão da identidade e sentido de auto-pertença das gentes da Martinela, merecendo, por cumprir este desiderato, um lugar de relevo no panorama monográfico do concelho de Leiria».

Algumas fotos do lançamento no Salão da Capela da Martinela:

 

martinela 5

 

martinela 6

 

Martinela 1

 

 

 




Site capa Catálogo

Capa: Ilustração de O País dos Homens Sábios, de Marta Ubach

Consultar Catálogo aqui.




Voto de Natal de David Mourão Ferreira 2




BlakeA noite de Natal, o momento em que se simboliza o começo da história do Cristianismo, introduziu no mundo um princípio de esperança até aí desconhecido. Independentemente da querela sobre a existência ou não de um Jesus histórico, ou da crença ou descrença na sua natureza divina, a religião que se organizou em torno de uma história que vai do nascimento no estábulo, em Belém, à morte na cruz, em Jerusalém, trouxe uma ruptura com as outras formas de religião, as quais, por norma, vergavam o homem a um fatalismo tão cego que, dificilmente, os seres humanos poderiam imaginar libertar-se dele. O cristianismo veio colocar o destino de cada um, numa vida após a morte, na sua própria mão, nas decisões que tomar quanto ao modo como se comporta nesta vida. Esta mudança na esfera da salvação, com o passar dos séculos, começou a contaminar a existência social dos povos convertidos ao cristianismo. Uma vida digna de ser vivida neste mundo, como a salvação na eternidade, dependerá das escolhas que indivíduos e comunidades fizerem.

Agora que o ano de 2023 se prepara para dar lugar ao de 2024, será o momento de indivíduos e comunidades se interrogarem sobre a bondade das suas escolhas. Será que os meus actos individuais e as minhas paixões singulares contribuem ou não para uma vida digna de ser vivida? Será que as escolhas comunitárias que estamos a fazer ou iremos fazer contribuirão para uma comunidade mais decente, onde todos encontrem uma esperança para a sua vida? Esta interrogação só tem sentido a partir da liberdade que o cristianismo trouxe ao mundo. Aquilo que temo, porém, é que todos nós, indivíduos e comunidades, nos estejamos de novo a entregar a um fatalismo cego que aniquila a liberdade e nos entrega a um mundo indigno de seres dotados de razão.

Soterrámos o Natal, primeiramente, numa festa de família; depois, numa orgia de consumo. Seria bom, porém, que retomássemos – os homens de boa vontade, crentes, agnósticos e ateus – a esperança da narrativa do nascimento de Cristo. Na mais pura pobreza, nesse lugar impróprio para nascer um ser humano, deu-se um acontecimento, mesmo que apenas imaginado, que abriu a humanidade à esperança, a esperança da salvação, mas também à da liberdade. É verdade que o cristianismo nos trouxe um encargo não pequeno, o de, como homens livres, sermos responsáveis pelas nossas escolhas. Estas, singulares e comunitárias, cairão sobre os nossos ombros. O mundo que delas derivar será da nossa responsabilidade, queiramos ou não. Resta saber se seremos fiéis à esperança trazida pelo Natal ou se nos submeteremos aos cantos de sereia e ao velho fatalismo de que o cristianismo nos tenta salvar.

Jorge Carreira Maia (2023). Noite de Natal. In A Barca e aqui.